ITENS DE SEGUNDA MÃO AQUECEM O MERCADO
A recente valorização do consumo consciente e o charme dos objetos antigos ou de marca fazem com que os brechós virem pontos de venda concorridos e ocupem espaço até nos shoppings
A Suécia inaugurou recentemente, na cidade de Eskilstuna, uma grande novidade: um shopping de segunda mão, que vende móveis, roupas, utensílios de jardinagem, produtos para pets e até materiais de construção. O país escandinavo tem tradição em compra e venda de objetos usados e, recentemente, o shopping foi aberto em um antigo depósito de reciclagem, que funcionava desde 2015. A montagem desse projeto envolveu empresários, políticos e o prefeito da cidade, que se juntaram para encontrar uma forma de reduzir o desperdício e trabalhar o consumo consciente. O shopping também possui espaço para uma cafeteria, que serve comidas orgânicas e fomenta palestras sobre assuntos relacionados ao consumo consciente. Cerca de 700 pessoas visitam-no todos os dias.
Mas o Brasil também tem exemplos sobre o tema. Pesquisa feita pelo Ibope Conecta para a OLX apontou que 84% dos internautas brasileiros têm interesse em vender itens sem uso. De acordo com o levantamento, o potencial de venda do brasileiro chega a R$ 7,6 trilhões, incluindo o comércio de itens que vão de moda e eletrônicos a imóveis e veículos. Tatiane Rodrigues, designer de interiores e proprietária do Comadres Brechó de Luxo, confirma essa mudança de cenário no país e ressalta que, “nesses tempos de crise, é possível que o pequeno empresário que comercializa itens de segunda mão consiga negociar para estar em um grande shopping”.
O Comadres Brechó de Luxo funciona desde 2012, mas só neste ano migrou para o shopping Liberty Mall, em Brasília, como um novo passo para a ampliação de mercado. A loja tem como foco o vestuário de marca; de acordo com sua proprietária, as peças são duradouras e, por serem de grifes consagradas, são almejadas pelas consumidoras. “Os clientes apreciam a oportunidade de comprar roupas diferenciadas e de qualidade”. Nessa nova fase, as bolsas também estão no centro das vendas da loja. Elas têm alta rotatividade, por estarem no imaginário do público que deseja um objeto de marca atemporal.
E-commerce
Vender produtos usados via internet não é novidade. Sites como Mercado Livre, Enjoei e OLX são especializados nesse tipo de comércio. Nesses portais, o próprio usuário faz um cadastro e insere fotos dos produtos dos quais deseja se desfazer. Ele se conecta, então, a pessoas de todo o país interessadas em adquirir aqueles itens. Os sites de venda fazem a mediação dos pagamentos e realizam a entrega. A segurança proporcionada por esse comércio on-line atrai os mais diversos públicos e tende a crescer como nicho de mercado.
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